sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Como ensinar o cachorro a fazer as necessidades no sítio certo?

Clínica Veterinária de Mangualde
             Dr. Benigno José Rodrigues
             Dra. Sandra Oliveira





Como ensinar o cachorro a fazer as necessidades no sítio certo?

É um grande desafio ensinar o nosso cachorro a fazer as necessidades no sítio certo, ainda mais quando estamos a lidar com um animal que não tem total controlo sobre a bexiga e intestinos até por volta dos 6 a 8 meses de idade. Contudo, pode ser bem sucedido se o observar, reconhecer os seus sinais, perceber os seus instintos e recompensando-o pelo comportamento correcto. Use as seguintes sugestões e tenha muita paciência durante o treino.

O cachorro não sabe onde deve ou não deve fazer as necessidades antes de o ensinarmos, logo qualquer sítio longe de onde come ou dorme é um bom sítio. Portanto é de esperar que haja “acidentes”.
A prevenção é o ponto-chave para o sucesso. Para prevenir acidentes tem de perceber com que frequência o seu cão precisa de fazer as necessidades.  

*      Há alturas em que é mais provável o cachorro precisar de fazer as suas necessidades. Estas são:
                - De manha ao acordar;
                - Cerca de 5 a 10 minutos depois de beber água;
                - Cerca de 10 a 25 minutos depois de comer (muito variável de cachorro para cachorro);
                - Depois duma sessão de brincadeira ou exercício;
                - Quando desperta de uma sesta.
Isto aplica-se também à maioria dos adultos.

Como pode ver o cachorro precisa de fazer as suas necessidades com muita frequência e nem sempre o dono está por perto para o encaminhar para o sítio certo.
*        Aspectos importantes a considerar:  

·      Regra geral os cachorros não fazem as necessidades no sítio onde comem, dormem, ou quando limitados a um espaço pequeno.
·      Não deixe o seu cachorro vaguear pela casa toda sem supervisão. Mantenha-o confinado numa área pequena quando não tem a possibilidade de o observar constantemente.
·      Se o seu cachorro se descuidou dentro de casa ou onde não era suposto, durante a sua ausência, não o repreenda. A reprensão só será eficaz se o apanhar em flagrante.
·      Se o seu cão se descuidar não ralhe ou castigue-o. Esfregar o focinho do cão só agrava mais o problema. Se o “acidente” ocorrer não dê atenção ao cão, espere que ele saia e calmamente limpe o que ele sujou.

Cometemos muitos erros quando ensinamos um cachorro a fazer as necessidades no sítio certo. Com frequência, o que pensamos que estamos a ensinar nem sempre é o que o cachorro está a aprender.
Por exemplo: pode pensar que se levar o seu cachorro ao sítio onde ele urinou e defecou e gritar “Não!” ou “Feio!” e lhe bater, ele aprenderá a não voltar a fazer as necessidades naquele local. As coisas não são tão lineares assim. Pode, pelo castigo dado, não voltar a fazer as fezes naquele local, mas também aprende que a presença do dono e a presença de urina ou fezes resulta em castigo. Consequentemente, para evitar punições, o cachorro pode começar a fazer as necessidades em superfícies absorventes como carpetes ou almofadas, em sítios escondidos e raramente na sua presença. Não se surpreenda, portanto, se andar muito tempo na rua com o seu cachorro, na expectativa de ele fazer as necessidades, ele não fazer nada e assim que chega à casa fazer às escondidas.
Caso seja possível, ensine o cachorro desde o primeiro dia a fazer as necessidades no local definitivo – local que pretenda que ele faça as necessidades para toda a vida, por exemplo: no jardim ou no quintal.
 Aos 2 meses de idade um cachorro já pode ser perfeitamente treinado a defecar e urinar fora de casa, no quintal. Tenha atenção e evite o contacto íntimo com outros cães e com dejectos deixados por outros animais, especialmente se não tiver a vacinação em dia.

*      Técnica dos resguardos dentro de casa:

Técnica a optar quando tem um cachorro muito novo, que ainda não pode ir à rua por não ter o esquema vacinal completo, ou quando vive num apartamento sem quintal ou sem a possibilidade de o levar à rua com frequência.
Para servir de “casa-de-banho” use os resguardos. Os resguardos são uma boa escolha porque o cachorro acede a eles com facilidade, são baratos e não tem o inconveniente dos jornais que é o cachorro ingerir tinta se os roer.
Tenha vários resguardos espalhados pela casa. Pode não parecer muito bonito mas é importante ter vários espalhados porque se o resguardo estiver longe do cachorro, mesmo que ele
já tenha entendido que é nele que deve urinar e defecar, pode não ter tempo de lá chegar e fazer as necessidades pelo caminho.
A solução ideal é encaminhar o cachorro para um dos resguardos que tem espalhados pela casa nas alturas em que é provável ele fazer as suas necessidades. Assim que ele acabar de as fazer, recompense-o com um elogio verbal ou uma guloseima. Use guloseimas deliciosas - um pedaço de fiambre ou queijo magro é preferível a algo rico em gordura. Recompense-o só quando acabar de urinar ou defecar, se não corre o risco de o cachorro se retrair porque se focou na guloseima.
Se o apanhar em flagrante a fazer as necessidades no sítio errado, pegue nele rapidamente e, sem lhe dizer nada, leve-o para o resguardo. É provável que o cachorro se retraia, mas pelo menos entenderá que não é suposto fazê-las onde estava. Se vir urina ou fezes nem que seja dois minutos depois, limpe o local sem dizer nada ao cachorro. 
Atenção que os produtos à base de lixivia ou amoníaco podem atrair o cachorro, porque alguns dos seus componentes são semelhantes a alguns componentes da urina. Depois de lavado o local que o seu cachorro sujou, neutralize o odor com uma mistura de água e vinagre (uma parte de vinagre para duas partes de água). Borrife o local que lavou e seque-o com papel de cozinha.

E se o me cachorro tiver feito as necessidades no resguardo mas não estava ninguém por perto para o recompensar?
Esta é, por acaso, a situação mais comum. Leve-o até ao resguardo, devagar e calmamente ponha-o a cheirar a urina ou fezes, e recompense-o com elogio verbal e guloseima. O cachorro aprenderá que fazer as necessidades no resguardo resulta numa recompensa, mesmo que as tenha feito bastante tempo antes de o dono as ver.

Nota: Temos disponíveis na Clínica uma casa de banho com resguardo muito bonita e um produto atractivo para o seu cachorro fazer as necessidades.

*      Como educar o cachorro a fazer as necessidades fora de casa?

1.    Escolha uma área no exterior onde quer que o seu cão faça as necessidades. Idealmente a casa-de-banho do cachorro deve ser escolhida antes da chegada dele a casa.
2.    Leve o seu cachorro frequentemente à rua, se possível com intervalos de 2 horas durante o dia (saídas menos frequentes irão atrasar o processo de aprendizagem).
3.    Faça-o, impreterivelmente a seguir às refeições, ao despertar, após momentos de brincadeira e à noite antes de deitar.
4.    É importante seguir uma rotina. A alimentação deve ser feita à mesma hora todos os dias e não deve ficar sempre à disposição do cachorro. Quando ele acaba de comer e se afasta da comida, ou após 15 minutos, retire a comida.
5.    Acompanhe sempre o seu cão para o local pretendido e com a trela (se estiver habituado à trela).
6.    Use uma palavra específica para o cão associar o local escolhido ao sítio onde tem de fazer as necessidades, como por exemplo: “ faz o cócó”.
7.    Quando começar a fazer as necessidades no local certo, elogio-o calmamente.
8.    Quando terminar de fazer as necessidades no local certo felicite-o vigorosamente através do tom de voz, carícias, festas e recompense-o com um biscoito ou “snack” que ele goste, imediatamente.  Não espere que chegue a casa.
9.    Se ele não fizer as necessidades, coloque-o numa área confinada e leve-o novamente passado 15 minutos.
10.  O odor das visitas anteriores a essa área irá marcá-la rapidamente como o local das necessidades mas é importante mantê-la sempre limpa.
11. Recompense-o com um “snack” sempre que ele tiver um comportamento apropriado. Quando ele aprender, faça-o intermitentemente.
12. Se o animal por algum motivo não quer fazer as necessidades no local pretendido e assim que o levar para dentro de casa faz lá, tem de estar mais atento ao comportamento dele.
Quando o cão começar a cheirar o chão, ou andar às voltas a preparar-se para fazer as necessidades, espere que ele comece a fazer para o impedir, erguendo-o no ar enquanto exclama “Não” com firmeza e leve-o ao local destinado de imediato. Quando ele tiver terminado de fazer as necessidades felicite-o e acaricie-o logo para ele perceber que teve um bom comportamento.
Idealmente não deve esperar por estes momentos. Leve o cão à rua regularmente.
Se perceber que não vai chegar a tempo de agir, não faça nada e também não o castigue. Espere que ele saia para depois limpar.
13. Quando levar o cachorro à rua certifique-se que o passeio não acaba assim que o animal fizer as suas necessidades, não se esqueça que o cachorro também precisa de brincar e de fazer exercício. Não o traga logo para casa.
14. Por ultimo, não se esqueça que na cidade o asseio é imperativo. Retire as fezes deixadas pelo animal com um saco plástico e deite-as no contentor do lixo.

*      Os cães adultos também podem ser ensinados. Como?

Siga o mesmo esquema do cachorro. A diferença é que os cães adultos aguentam-se mais tempo, podendo ir à casa-de-banho apenas 2 ou 3 vezes e serem alimentados duas vezes por dia.
Esse esquema ajuda-o a resolver o problema da educação do seu cão para que ele utilize o local correcto para fazer as necessidades, mas certifique-se que ele não está a urinar ou defecar por outros motivos como submissão, dominância ou medo.
Se o cão urina quando fala com ele ou quando chega a casa, provavelmente ele está a urinar por submissão ou excitação. A marcação do território e a regressão na aprendizagem: o voltar a fazer as necessidades no sitio errado quando já estava ensinado, são exemplo de urinar e defecar, respectivamente, por dominância.



 Artigo escrito por Sandra Oliveira – médica veterinária (CP 4910)

 Clínica Veterinária de Mangualde
Av. General Humberto Delgado Nº 12 R/C Esq
3530-115 Mangualde
                                                                                                                          Telef.: 232.623.689

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O meu cão come fezes. É normal? O que fazer?


Há comportamentos normais nos cães que a nós parecem estranhos e nojentos. Um exemplo disso é comer fezes. É muito comum os donos queixarem-se deste comportamento chamado de coprofagia.
É mais comum o cão comer as fezes de outros animais do que as suas próprias fezes. O hábito de comer as fezes dos outros é o mais difícil de eliminar.
É um comportamento normal no caso das cadelas que estão a amamentar. As cadelas recém-paridas têm o hábito de lamber as crias para as estimular a urinar e defecar, e a comer as fezes dos filhotes nas suas primeiras semanas de vida, de forma a manter o ninho limpo.
Os cachorros têm uma grande necessidade de energia e tendem a imitar a mãe e os irmãos. Nesta idade, comem as próprias fezes ou as dos outros cães como uma forma de obter nutrientes-extra  e também de explorar o meio-ambiente.  
Na maior parte dos casos é uma fase que os cães atravessam e que desaparece sozinha, geralmente por volta dos 3 a 4 meses de idade. Contudo, alguns indivíduos, em particular das raças mais “gulosas” (ex: Labrador Retriever, Beagle) podem continuar com este desagradável hábito.
Várias são as hipóteses sugeridas como causas da coprofagia. É difícil apontar uma única causa porque há uma grande variedade de situações que predispõem o animal a comer fezes.
A origem deste “problema” pode estar associado a diversos factores, nomeadamente:

  •  Causas médicas

- Fome/Nutrição insuficiente ou de má qualidade
Comer fezes não é repugnante para o cão. Nos cães mal nutridos ou que comem um alimento de baixa qualidade as fezes (que normalmente são de outras espécies animais) representam um petisco, uma fonte de alimento nutritiva e palatável.
                - Super-alimentação:
Fornecer uma grande quantidade de comida uma única vez por dia, pode sobrecarregar o sistema digestivo e levar a uma má digestão. Assim as fezes apresentariam uma grande quantidade de produtos alimentares não digeridos. Mais tarde o cão sentindo-se com fome, por causa da má digestão, se alimentaria destas fezes.
- Dieta muito pobre em proteínas
- Insuficiência Pancreática Exócrina (deficiência de enzimas digestivas).
- Pancreatite crónica
- Parasitas intestinais

Estas situações devem ser diagnosticadas pelo Médico Veterinário. Pergunte ao Médico Veterinário se o seu animal está a ter a alimentação mais correcta.

·         Causas comportamentais

- Aprendizagem por observação e imitação: Os cachorros são muito curiosos e ao observarem a mãe a comer as fezes podem sentir-se tentados a imitá-la. Se a experiência for agradável, na perspectiva do cão, esse comportamento terá tendência para ser exibido com frequência no futuro.
 Outro exemplo é o caso do cão que ao ver o dono a limpar as fezes pode querer tentar fazer o mesmo. Como o cão não sabe onde colocar as fezes (o dono coloca-as no lixo) ele come-as. Para evitar este comportamento é importante que o cão não esteja por perto ou que esteja a vê-lo na altura de limpar as fezes.
- Ansiedade devido a conflito ambiental. O stress ambiental pode contribuir para a coprofagia.

- Ansiedade de separação. Os cães deixados em casa sozinhos, durante longos períodos de tempo podem acabar por exibir este comportamento.
- Distribuição errada do espaço para dormir, alimentar, defecar e urinar. Cães que não dispõem de espaço suficiente e são forçados a defecar no seu espaço de dormir acabam por ingerir as próprias fezes para manter o espaço limpo.
- Aborrecimento/Solidão: Os cães que passam muito tempo sós, confinados em espaços fechados ou presos por trela, sem distracções ou qualquer estímulo ambiental estão mais aptos a desenvolver coprofagia do que aqueles que estão com companhia humana na maior parte do tempo. O stress gerado pela solidão e a necessidade de gastar energias pode levá-los a entreterem-se (por brincadeira) a ingerir fezes.
- Falta de atenção pelo dono: Muitos cães vivem isolados do meio familiar ou então não recebem suficiente afecto e atenção. Se por acaso um destes cães for castigado pelo dono num momento em que esteja a comer fezes (“Ah! Não se faz isso!”) pode sentir-se reforçado e aprender que ao comer fezes obtêm a atenção do dono. Este tipo de situação é muito frequente.
- Castigos relacionados com a eliminação do cão: Quando um cão é castigado por fazer as necessidades no sítio errado/dentro de casa (é mais comum nos cachorros), este aprende que as fezes resultam numa consequência desagradável. Neste sentido, o cão passa a defecar na ausência do dono e pior ainda, a ingerir as fezes para não deixar vestígios e desta forma evitar a punição.
Muitas vezes nós é que fazemos com que este problema se torne problemático e duradouro através da forma como reagimos – abrindo a boca do cão à força para lhe tirar as fezes, ou repreendendo-o.
Ao abrir-lhe a boca à força corre o risco de ele aprender a engolir as fezes, de futuro, antes que o dono tenha tempo de lhas tirar. Isto não é problemático no que concerne às próprias fezes, mas pode ser não só problemático como perigoso também se o cão aprender a engolir qualquer outro objecto antes que lho tirem.
Ao repreender o cão está a dar-lhe atenção, algo que o seu cão adora. Assim que ele perceber que cada vez que come fezes o dono dá-lhe atenção, começará a comê-las mais vezes para ganhar a sua atenção. É assim que contribuímos para fazer desta fase temporária um problema persistente.

Deverá contactar o Médico Veterinário para o ajudar a resolver estes problemas.

·   
      O que fazer?

1.        Consulte o Médico Veterinário para descartar causas médicas e/ou alterar a dieta do cão.
Dê um alimento de qualidade a nível nutricional e adequado à idade e condição do cão.
A coprofagia é geralmente uma fase passageira dos cachorros mas é exacerbada se lhe é negado o acesso livre e frequente à comida. Divida a ração diária em 3 a 4 refeições por dia.
2.        Gestão e Prevenção: Evite que o cão tenha contacto com fezes. Limpe de imediato o local após o cão ter defecado. Muitas vezes o problema existe em locais com falta de higiene.
Evite apanhar as fezes na presença do cão. Aguarde que o cão saia do local para as recolher.
3.        Ensine o cachorro a fazer as necessidades no sítio certo e ensiná-lo a vir com o dono logo após ter defecado. Desta forma evitamos que o cão caía na tentação de comer as fezes.
 Leve o cão ao local onde deve defecar, várias vezes ao dia, sempre na mesma altura (a seguir às refeições, logo de manha) e premeio-o (com um biscoito ou um pouco de brincadeira) sempre que ele fizer as necessidades no sítio certo. Assim que o cão acabe de fazer as fezes no sítio certo, chame-o e se ele vier logo ter consigo recompense-o também.
4.        Nunca punir o cão por defecar num local inapropriado ou por comer fezes.
5.        Aumentar as actividades de estimulação física e mental dos cães. Assegure que o seu cão tenha uma vida activa: com passeios frequentes na sua companhia. Brinque com ele, ofereça brinquedos, e sobretudo dê-lhe atenção.
6.        Fazer com que o cão ganhe aversão às fezes. Existe disponível uma substância que adicionada à comida deixa as fezes com um cheiro desagradável, pouco apetecíveis. Fale com o seu Médico Veterinário sobre este assunto.

Investigações demonstraram que cães coprófagos não constituem risco quer para a sua própria saúde quer para a saúde de pessoas cujas faces e mãos sejam lambidas por estes animais. No entanto, a coprofagia é um acto emocionalmente repulsivo.
Artigo escrito por Sandra Oliveira – médica veterinária (CP 4910)

 Clínica Veterinária de Mangualde
Av. General Humberto Delgado Nº 12 R/C Esq.
3530-115 Mangualde
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

PARTE III - Zoonoses transmitidas por insectos vectores

Clínica Veterinária de Mangualde
             Dr. Benigno José Rodrigues
             Dra. Sandra Oliveira





PARTE III - Zoonoses transmitidas por insectos vectores

As doenças transmitidas por vectores constituem actualmente uma séria preocupação. São transmitidas por ectoparasitas como carraças, pulgas, mosquitos e flebótomos, e devido ao seu potencial zoonótico representam uma ameaça global para a saúde humana.
 A região mediterrânica com o seu clima ameno promove condições propícias para o desenvolvimento destes ectoparasitas o que leva a que Portugal seja endémico para várias das doenças transmitidas por insectos vectores.
Estes parasitas têm uma diferente sazonalidade consoante a sua biologia e ecologia. Por exemplo, no Sul da Europa é esperado encontrar carraças nos cães durante todo o ano, enquanto que a actividade dos flebótomos geralmente limita-se aos meses mais quentes (de Junho a Outubro). Isto implica  que os cães estão em risco de infecção por Leishmania infantum durante todo o verão, e por muitos agentes patogénicos transmitidos por carraças durante todo o ano.


  •    LEISHMANIOSE CANINA
A Leishmaniose canina é uma zoonose de grande importância e de impacto na saúde pública. Todos os anos registam-se em Portugal entre 10 a 15 casos de Leishmaniose em Humanos, especialmente nas pessoas imunocomprometidas e crianças.
A doença atinge todas as raças de cães, em todas as idades, e com uma elevada taxa de morbilidade e mortalidade.
É muito frequente nos países da bacia Mediterrânica e da América do Sul. Em Portugal, a doença é endémica em todo o território, embora algumas áreas apresentem uma prevalência mais elevada que outras: Trás-os-Montes e Alto Douro, Beiras, Ribatejo, Alentejo, região de Lisboa, Setúbal e o Algarve. Qualquer deslocação com os animais de estimação para estas zonas significa um risco acrescido de contágio.
É causada por um protozoário: a Leishmania infantum que parasita o sistema imunitário do hospedeiro: o cão. O ciclo de vida deste parasita só se completa na presença de um vector: o insecto flebótomo.
O flebótomo ao picar um animal doente servirá de veículo do parasita a outro animal ou  ser humano sadio que vier a picar e assim sucessivamente. Sem o insecto, não há o ciclo. Por isso, o mero contacto ou proximidade física de um cão contaminado com um saudável ou com o homem, não constitui perigo de contágio da doença.
 A Leishmaniose é uma doença grave, de curso lento, crónico, de difícil diagnóstico e tratamento e de fácil transmissão. No cão os sinais clínicos são muito variáveis. Geralmente surge apatia, perda de peso progressiva, lesões na pele, crescimento exagerado das unhas e perda de apetite. Se não for tratada é fatal.
A prevenção no cão faz-se com a vacinação e o uso de produtos repelentes como coleiras ou pipetas. Também deve-se evitar passeios em zonas de rios, charcos ou de águas paradas ao amanhecer e ao entardecer que é quando há uma grande proliferação do insecto.
Para evitar a picada dos flebótomos deve tomar precauções como usar repelentes de insectos, redes mosquiteiras, evitar andar de pele exposta ao anoitecer e amanhecer e desinfectar as instalações.


  • DIROFILARIOSE
A Dirofilariose, conhecida como “a doença do verme do coração” é causada pelo parasita nemátodo: Dirofilaria.
Em Portugal, esta doença ocorre preferencialmente nas regiões do Ribatejo, Alentejo, Algarve e a Ilha da Madeira.
A Dirofilária afecta principalmente cães mas também pode afectar gatos e animais silvestres.
A transmissão ocorre através da picada de mosquitos fêmea do género Culex, mas também Anopheles e Aedes, infectados com larvas de dirofilária (microfilárias). Durante a picada o mosquito inocula na corrente sanguínea do cão as microfilárias que seguem depois para as artérias pulmonares no coração onde desenvolvem-se em filárias adultas.

Os sintomas normalmente surgem vários meses após o animal ser infectado. São comuns as dificuldades respiratórias, tosse crónica, intolerância ao exercício, perda de apetite, perda de peso e morte súbita.
Se a doença for diagnosticada atempadamente tem cura, no entanto o tratamento é muito dispendioso e apresenta riscos para a saúde do animal.
A prevenção pode ser feita com base em comprimidos administrados ao cão todos os meses (que eliminam as microfilárias em circulação) e com o uso de repelentes (pipetas) que previnem a picada do mosquito. Se viajar com o seu animal para zonas endémicas de dirofilariose, previne-se antes.
É considerada uma zoonose pois afecta o Homem, embora isso ocorra muito raramente. O Homem infecta-se quando os mosquitos vectores se alimentam dele de forma acidental. As larvas de dirofilária são transmitidas ao sangue periférico e na maioria dos casos, não ultrapassam o tecido subcutâneo, morrendo aí. Se a infecção progredir, a dirofilariose humana manifesta-se de maneira diferente dos animais: provoca infiltrações nodulares em vários órgãos como o fígado e pulmões.

  • ZOONOSES TRASMITIDAS POR CARRAÇAS


Em todo o mundo as carraças são a segunda causa de transmissão de doenças infecciosas, a seguir ao mosquito.
As carraças adultas fixam-se aos animais para se alimentarem do seu sangue. Elas são bem visíveis à vista desarmada, sendo vulgar verem-se em maior ou menor número fixadas à pele dos animais. Ao picarem podem transmitir doenças infecciosas.
Normalmente os animais apanham carraças em zonas com vegetação, arbustos ou plantas em geral como nos campos, parques e jardins das cidades.

A doença comummente designada por “Febre da Carraça” abrange um conjunto de patologias provocadas por diferentes agentes etiológicos, que têm em comum o facto de serem transmitidas pela picada de carraças. Entre elas temos:
                - Babesiose,
                - Doença de Lyme,
                - Erliquiose,
                - Riquetsiose

Estas doenças afectam o cão, e ocasionalmente o gato. São zoonoses mas não é o cão ou o gato que as transmitem ao Homem, é a picada de carraças.
Nas zonas endémicas, acontece muito frequentemente a co-infecção com Leishmania infantum. Isto representa um desafio maior para o Médico Veterinário porque os animais com várias infecções podem apresentar sintomas clínicos diferentes dos que são observados em animais infectados por um só agente patogénico.
Manifestam-se por: febre, letargia, anorexia, dor e inflamação articular, anemia, hemorragias e perda de peso. Os animais nem sempre apresentam todos estes sinais, tornando difícil o diagnóstico. Também não é raro os sintomas surgirem bastante tempo após a remoção das carraças.

Para prevenir é importante reduzir o número de picadas de carraças. 
O que posso fazer?
- Tenha cuidado nas saídas ao campo. Afaste-se dos arbustos e use vestuário que cubra as pernas e braços.
-Retire o mais depressa possível as carraças fixadas em si e nos animais. A transmissão de doenças é mais provável de ocorrer se a fixação superar as 12-24 horas.
- Não deixe que o seu animal ande por zonas de arbustos e vegetação alta.
- Desparasite o animal contra as carraças, durante todo o ano, com produtos recomendados pelo Médico Veterinário. As alturas do ano de maior preocupação são, em Portugal, de Março a Setembro. A prevenção deve iniciar-se antes de começarem a surgir as primeiras carraças.

  • BARTONELOSE FELINA - DOENÇA DA ARRANHADELA DO GATO
Esta doença que é mais comum no Outono e Inverno é provocada pela bactéria Bartonella henselae. Os gatos são o principal reservatório da bactéria, em especial os que tem menos de 1 ano de idade e os gatos vadios.
As pulgas são os vectores responsáveis pela transmissão da infecção aos gatos. A bactéria encontra-se na saliva ou fezes de pulgas infectadas.
As pulgas dos gatos não são as mesmas que afectam os cães. Da mesma forma, há diferentes espécies de Bartonella spp, em que umas infectam os gatos (Bartonelose felina) e outras os cães (Bartonelose canina). A infecção nos cães e gatos dá-se por intermédio da picada de pulgas. Das diferentes espécies que causam a Bartonelose felina  a Bartonella henselae é que é responsável pela zoonose: Doença da arranhadela do gato.
O gato é infectado quando é picado pelas pulgas ou contacta com as suas fezes ao lamber-se (aquando da limpeza da pelagem). A bactéria depois segue para a corrente sanguínea alojando-se nos eritrócitos afectando os órgãos. O gato torna-se então portador da bactéria.
A maioria dos gatos não apresenta sinais clínicos e a doença (Bartonelose felina) é subclínica. Se tiverem sinais são subtis como uma febre ligeira, apatia ou falta de apetite. Contudo nos gatos com o sistema imunitário deficiente devido à SIDA ou leucemia felina os sintomas podem ser mais graves e a doença ser fatal.  
 Nas pessoas com esta doença há história de arranhadela em 67% dos casos ou contacto com gatos em 90% dos casos e o gato em questão é habitualmente saudável.
As pessoas não adquirem a infecção através da picada da pulga. O Homem infecta-se quando é arranhado ou mordido por um felino hospedeiro da bactéria. Os gatos podem ter fezes de pulga nas unhas e infectar o Homem ao arranhá-lo. O Homem apresenta no local de inoculação vermilhão e pequenas pápulas ou pústulas. Segue-se depois o aumento dos gânglios linfáticos locais, mal-estar, dores de cabeça e febre. Contudo se a pessoa tiver o sistema imunitário comprometido a infecção pode tornar-se sistémica e mais grave.
O diagnóstico da infecção no gato é complexo e nem sempre 100% fiável. Os gatos infectados com sintomas devem ser tratados.
A prevenção passa por desparasitar o gato contra as pulgas, ter cuidado no contacto com gatos doentes e evitar as arranhadelas. Se acontecer, desinfectar imediatamente a zona arranhada.

Artigo escrito por Sandra Oliveira – médica veterinária (CP 4910)

 Clínica Veterinária de Mangualde
Av. General Humberto Delgado Nº 12 R/C Esq.
3530-115 Mangualde
 Telef.: 232.623.689

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

PARTE II - Zoonoses causadas por parasitas intestinais do cão e gato

Clínica Veterinária de Mangualde
             Dr. Benigno Rodrigues
             Dra. Sandra Oliveira





PARTE II - Parasitoses intestinais do cão e gato que são zoonoses


v   GIARDIA

O protozoário Giardia lamblia é responsável por uma das zoonoses mais comuns de ocorrer nos seres humanos transmitidas pelos animais de estimação, em particular cães e gatos jovens, entre 1 e 8 meses de idade.
A infecção por Giardia ocorre através da ingestão de quistos eliminados nas fezes dos animais, presentes no meio ambiente, na água e nos alimentos ou nos pêlos dos animais.

Os animais de rua e aqueles que estão em canis, gatis estão mais expostos à infecção. Muitos animais podem estar contaminados, não apresentando qualquer sinal de doença, mas podem potencialmente infectar outros animais e pessoas.
Provoca nos animais e nas pessoas uma infecção intestinal levando a desidratação, diarreia, dor abdominal e perda de peso.

A cura no animal é difícil de obter, porque mesmo que seja bem tratado é muito frequente ocorrer reinfestações devido à dificuldade da eliminação dos quistos infectantes do ambiente (devido à sua elevada resistência). Além disso há uma grande quantidade de portadores assintomáticos, que eliminam quistos nas fezes, mesmo após o tratamento.
Como tal, o controlo é fundamental e baseia-se em 3 pontos importantes: desinfecção do meio ambiente, tratamento dos animais e prevenção da reinfecção. 
Para isso deve-se desparasitar os animais, limpar/desinfectar o ambiente com água quente e lixívia, evitar que fique húmido, não deixar fezes expostas e assegurar que os alimentos e a água não se contaminem com as fezes.
Para o controlo desta zoonose no Homem as recomendações são:
-Lavar as mãos depois de tocar num animal infectado.
-Evitar que as pessoas imunodeprimidas tenham contacto com fezes de animais parasitados.
-Usar sempre água tratada e controlada.
-Manter bons hábitos de higiene.

  ASCARÍDEOS

Os ascarídeos estão entre os mais comuns parasitas que infectam o tracto intestinal dos animais domésticos. Geralmente chamados de “lombrigas”, os nemátodes Toxocara spp na sua forma adulta, são vermes grandes esbranquiçados com até 18cm de comprimentos que parasitam o intestino delgado.

Estes parasitas são muito comuns em gatinhos e cachorros. São visíveis se forem expulsos pelo vómito ou fezes, mas é bem possível que animais infectados não apresentem sintomas externos.
As “lombrigas” habitam o tracto intestinal e expulsam ovos que saem para o meio ambiente juntamente com as fezes dos animais. Uma única fêmea de ascarídeo pode produzir até 200 mil ovos por dia.
Os animais de estimação podem ser infectados por várias formas:
-Ingestão de solo (areia ou terra), vegetação ou alimentos contaminados com ovos;
-Ingestão de hospedeiros intermediários (roedores, coelhos ou pássaros) contaminados;
-Através do leite durante a amamentação;
-As larvas também podem passar da mãe contaminada para os filhotes através da placenta durante a gestação (apenas nos cachorros).
Os cães infestados com ascarídeos podem apresentar dificuldade em ganhar peso, diminuição de apetite, diarreia, vómito, pelagem fraca e aparência de barriga dilatada.


Entre as zoonoses parasitárias adquiridas pela relação próxima com os animais de companhia, uma das mais importantes é a chamada síndrome da Larva Migrans Visceral. Este termo refere-se às infecções que podem afectar o Homem pela ingestão acidental de larvas dos nemátodes com maior prevalência no cão e no gato: Toxocara canis e Toxocara cati, respectivamente. No Homem não são os vermes adultos que causam problemas mas as suas larvas. Quando ingeridas elas migram para os restantes órgãos do organismo e permanecem lá, causando danos, em especial no fígado e olhos.
           
v   ANCILOSTOMÍDEOS

Os Ancilostomídeos adultos são nemátodos pequenos, com cerca de 1 a 1,5cm de comprimento que parasitam o intestino delgado dos cães e gatos. No cão o nemátodo mais importante é o Ancylostoma caninum. Este parasita é responsável por uma elevada mortalidade e morbilidade nos cães, principalmente pela sua actividade hematófaga no intestino que causa uma grande perda de sangue.
Os cães infestados com ancilóstomos, em particular os mais jovens e debilitados, podem desenvolver anemia, anorexia, perda de peso, fraqueza e diarreia.
A transmissão ocorre através da ingestão de larvas (ao farejar, lamber o chão, comer algum alimento contaminado ou ingerir roedores ou baratas infestadas com larvas), penetração das larvas na pele do animal ou da amamentação.
As fontes de infecção são normalmente as superfícies de solo húmido e areia que foram contaminadas com as larvas contidas nas fezes dos animais.

Os cães podem transmitir ancilóstomos aos seres humanos, causando a Síndrome da Larva Migrans Cutânea. Este problema é mais frequente em praias e em terrenos arenosos, onde os cães e gatos contaminam o ambiente com as fezes. O parasita (forma larvar) penetra na pele, provavelmente na zona dos pés e provoca infecções cutâneas. As pessoas ao andarem descalças pela areia podem ficar infectadas. As crianças podem infectar-se por contacto directo ou por ingestão ao brincarem nos depósitos de areia para construção, ou nos tanques de areia dos parques infantis.


v   TÉNIAS

As infecções por céstodes (conhecido como ténias) no cão e gato têm uma grande importância para a saúde pública. As espécies de maior interesse e que são zoonoses são a Taenia multiceps, a Taenia serialis no cão e a Taenia taeniformes no gato. 

A doença causada por estes vermes nos hospedeiros definitivos (cão e gato) é chamada de Teníase e nos hospedeiros intermediários: Homem, ruminantes, roedores e leporídeos de Cisticercose.
Os cães e gatos são infectados pela ingestão de ovos presentes na água, fruta, vegetais ou adquiridos directamente a partir do solo. A infecção pode ainda ocorrer por ingestão de carne ou vísceras dos hospedeiros intermediários parasitados – ruminantes e roedores – com a forma larvar: cisticercos. No intestino os cisticercos desenvolvem-se em adultos, crescem, reproduzem-se e produzem ovos que são depois libertados nas fezes. As ténias adultas podem viver anos dentro do intestino.
A presença destes céstodes no intestino delgado do cão e gato provoca diarreia, perda de peso, dor abdominal e prurido anal. Em casos de infecções maciças pode ocorrer: obstrução do trânsito intestinal.
O hospedeiro intermediário, incluindo o Homem, é infectado quando ingere os ovos eliminados com as fezes de cães e gatos que contaminam os pastos, terra e a água.
A melhor prevenção para evitar que cães e gatos sejam infectados é desparasitá-los regularmente e não  dar carne crua. A carne e as vísceras dadas aos animais devem ser completamente cozinhadas.

v   TÉNIA Echinococus spp. (EQUINOCOCOSE/HIDATIDOSE)

O Echinococcus spp é um cestode muito pequeno, com 3 a 6 mm de comprimento, da mesma família das ténias. A sua forma adulta parasita o intestino do cão ou gato causando a Equinococose, enquanto a forma larvar – o quisto hidático – acomete os herbívoros e acidentalmente o Homem, causando a Hidatidose.
Este género (Echinococcus spp) inclui 2 espécies de grande importância:
         - Echinococcus granulosus: Responsável pela Hidatidose Quística no Homem e nos animais de produção (hospedeiros intermediários). O hospedeiro definitivo é o cão ou outros carnívoros selvagens.
        - Echinococcus multiocularis: Produz a Hidatidose Humana Alveolar. Afecta o cão, o gato e outros carnívoros (hospedeiros definitivos).
Os adultos de Echinococcus parasitam o intestino delgado do hospedeiro definitivo, reproduzem-se e dão origem a ovos que saem com as fezes. Os ovos não são visíveis a olho nu e conseguem permanecer no meio ambiente durante longos períodos de tempo graças à sua grande resistência às mudanças ambientais.

O cão ao lamber-se pode espalhar na pelagem ovos que depois podem ser ingeridos por uma criança que faz festas ao cão e que não tem uma adequada higiene das mãos. A proximidade Homem-cão é propícia ao ciclo zoonótico desta doença.
Os ovos presentes nas fezes, pêlo do cão,  água ou alimentos podem ser ingeridos acidentalmente pelo Homem e por outros mamíferos e dar origem ao chamado quisto hidático.
 Os cães e gatos adquirem a infecção (equinococose) quando ingerem os hospedeiros intermediários infectados com quistos (por ex. quando comem restos e vísceras de porco, vaca, cabra, ovelha).
 A Hidatidose é uma zoonose de distribuição mundial que provoca grandes prejuízos económicos, além de representar um importante problema de saúde pública. Embora no cão esta ténia não cause graves alterações, no Homem pode enquistar-se em vários órgãos (cérebro, pulmão, fígado) atingindo dimensões consideráveis e pôr-lhe a vida em risco. Esta zoonose acarreta gravíssimos perigos, como a compressão exercida nos órgãos vitais quando atinge grandes dimensões e o perigo dum choque anafiláctico mortal aquando da disseminação dos quistos-filhos pelo organismo.
A sua prevenção não é difícil, passa pela simples desparasitação do seu animal regularmente com produtos recomendados pelo Médico Veterinário e ter alguns cuidados: não dar-lhe a comer vísceras e carnes cruas, não deixar-se lamber em particular no rosto, alimentá-lo em recipientes próprios e lavados separadamente, manter os cães e os locais onde permanecem limpos, não beber água não tratada e de origem desconhecida, lavar muito bem frutas e vegetais que se comem crus, e seguir boas práticas de higiene como lavar sempre as mãos antes de comer e depois de contactar com os animais.

  TÉNIA Dipylidium caninum (DIPILIDIOSE)

O Dipylidium caninum é um céstode muito comum em cães e gatos e que têm um forte potencial zoonótico.
As pulgas intervêm como o hospedeiro intermediário da ténia. Esta infecta cães e gatos quando estes ao lamberem-se ou ao mordiscarem o pêlo ingerem pulgas infectadas com larvas de ténia. As larvas vão para o intestino e lá evoluem para a forma adulta.

Tal como os outros céstodes, os adultos parasitam o intestino delgado dos hospedeiros. Estas ténias raramente provocam sinais evidentes nos animais, mas quando os animais têm infecções massivas podem vir a ter diarreia, anemia, vómitos, perda de peso e prurido anal.
As pessoas e em particular as crianças, podem infestarem-se ao brincam com os seus animais de estimação e ingerir acidentalmente fezes ou pêlos do seu animal.
 Muito frequentemente, os proprietários de cães ou gatos parasitados com ténias verificam a saída de pequenos segmentos destas pelo ânus dos animais, ou então vêem os mesmos segmentos secos, agarrados ao pêlo doa animais ou caídos na cama, assemelhando-se a pequenas sementes brancas.
 A infecção é comum nos locais onde existem muitas pulgas, nomeadamente nas zonas urbanas e rurais.
Assim, faz todo o sentido que um animal no qual se detecte a presença de pulgas, seja também desparasitado internamente.

Concluindo:

A prevenção através da desparasitação regular de 3 em 3 meses é a melhor arma contra a infestação dos animais domésticos por parasitas intestinais e uma arma eficaz contra a transmissão de doenças ao ser humano.
Convém fazer pelo menos uma desparasitação anual das crianças e família.

Além destas formas de prevenção devem-se aplicar as medidas básicas de higiene como a lavagem das mãos, a cozedura adequada da carne e a lavagem cuidadosa das verduras, legumes e frutas crus.
As crianças são um alvo fácil de infecção, porque de forma despreocupada contactam com cães e gatos doentes ou não, e facilmente levam as mãos á boca.

Artigo escrito por Sandra Oliveira – Médica Veterinária (CP 4910)

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