segunda-feira, 22 de abril de 2013

ALIMENTOS PERIGOSOS PARA O CÃO E GATO


 ALIMENTOS QUE NÃO DEVE DAR AO SEU ANIMAL DE ESTIMAÇÃO




Quem tem cães e gatos em casa sabe que é muito difícil resistir aos olhinhos inocentes deles a pedir algo quando estamos sentados à mesa, na altura das refeições. Certamente já deu a provar ao seu animal de estimação um pouco da comida que come ou prepara para as refeições familiares. Provavelmente tem a noção que os animais são diferentes de nós, têm metabolismos e necessidades alimentares diferentes e que nem tudo o que nos faz bem, faz o mesmo a eles, mas o que pode não saber é quais os alimentos que o seu cão e/ou gato não deve comer.
Existem vários alimentos que são comuns à nossa mesa e completamente seguros para nós e que não o são para o nosso animal de estimação, podendo até colocar a vida dele em risco. Deverá entender que, mesmo sendo seguro para si comer um determinado alimento, isto não significa que o seu animal deve comer dele também. Não tente dar um determinado alimento ao seu animal se não souber que é seguro para ele, mesmo que o seja para si.
Alguns dos alimentos mais comuns à nossa mesa que são tóxicos para os cães e gatos são:

·         CHOCOLATE (de todas as formas)

O chocolate pode ser muito delicioso e tentador para os animais como o é para os donos, mas, contêm uma substância denominada teobromina, um alcalóide amargo relacionado com a cafeína, que é tóxico, podendo ser fatal, dependendo do tamanho do animal, do tipo e da quantidade de chocolate ingerida.
A dose tóxica de cafeína e de teobromina nos cães é de 100 a 150mg/Kg, enquanto nos gatos é de 80 a 150mg/Kg de peso. O chocolate de leite contém aproximadamente 154mg, enquanto o chocolate preto tem 528mg de teobromina por cada 100gr de chocolate. 
Os sinais de intoxicação são: vómitos, diarreia, hiperactividade, excitação inicial, ansiedade, aumento de ritmo cardíaco, arritmias cardíacas, tremores musculares, beber e urinar excessivamente, respiração pesada, convulsões e morte.
Quem suspeitaria que algo tão saboroso pode ser tão maléfico para o nosso animal de estimação. Lembre-se que um gato é capaz de escalar um armário para encontrar comida. Não há antidoto para esta intoxicação, portanto, o melhor a fazer é manter todo o chocolate, bombons e doces bem longe do alcance do seu animal.


·         CAFÉ, CHÁS, REFRIGERANTES E COLAS

Todas as bebidas que contêm cafeína, teofilina e teobromina, derivados das metilxantinas, que para nós são bebidas estimulantes, para os cães são potencialmente mortais. Enquanto o organismo das pessoas metaboliza e elimina estas substâncias de forma eficiente, os animais têm características metabólicas que os impedem de eliminar estas substâncias rapidamente, acumulando-as no organismo e provocando sinais de intoxicação semelhantes ao que acontece na intoxicação por chocolate. Além de serem um estimulante cardíaco, causam danos no sistema nervoso e urinário.


·         BEBIDAS ALCÓOLICAS

O sabor doce pode atrair os cães e gatos, mas tal como nas pessoas, as bebidas com álcool causam problemas de saúde. A diferença é que os animais adaptam-se menos que as pessoas e são mais susceptíveis à intoxicação.
Os sinais de intoxicação são: descoordenação motora, vómitos, diarreia, dificuldades respiratórias, excitação inicial, urinar excessivamente, depressão, arritmias cardíacas, convulsões, coma e morte.


·         CEBOLAS E ALHOS

Todas as espécies do género Allium, sendo as mais conhecidas as cebolas, os alhos, o alho-porro, os cebolinhos, contêm tiossulfitos, uma substância tóxica que irrita o tracto gastrointestinal e pode causar anemia por destruição das células vermelhas do sangue.
A toxicidade pode ocorrer de todos os modos, quer esses alimentos sejam frescos, secos, cozinhados ou em pó. Todas as partes da planta são potencialmente tóxicas para os cães e gatos e de forma geral, o alho parece ser menos tóxico que a cebola.
Os gatos são muito mais susceptíveis à toxicidade do que os cães.
No cão, a dose mínima tóxica é de 5,5 gramas de cebola desidratada ou 8,75 gramas de cebola natural por cada Kg de peso.
Se o seu animal ingerir determinadas quantidades numa única refeição ou cumulativo ao longo do tempo pode desenvolver sintomas como: letargia, fraqueza, ataxia (falta de coordenação motora), mucosas pálidas ou azuladas, anemia hemolítica, urina vermelha ou acastanhada, dificuldades respiratórias, salivação excessiva e ocasionalmente vómitos e diarreia. Em casos graves, a anemia pode dar origem a danos nos órgãos internos, levando a falha orgânica e até à morte.


·         UVAS, PASSAS, SULTANAS E GROSELHAS

As uvas, passas, sultanas e groselhas são tóxicas para os cães. As frutas em si e todo o tipo de produtos que as contenham – sumos, muesli, xaropes, bolos, biscoitos – constituem um perigo.
A ingestão de uma pequena quantidade pode causar falta de apetite, vómitos, diarreia e insuficiência renal ao seu animal de companhia.
A toxina que causa esses efeitos ainda não foi identificada, no entanto, deve evitar que o seu cão tenha acesso a estes alimentos, bem como a todos os produtos que os contêm.


·         FRUTAS

As frutas com caroço, como por exemplo, os pêssegos, ameixas, mangas, representam um perigo porque, os seus caroços são indigeríveis e podem causar obstruções intestinais. O animal pode manifestar salivação intensa, vómitos e letargia.
O abacate (folhas, sementes e a fruta) possui uma substância tóxica, designada de persina, que é tóxica para os cães. Pode causar transtornos gastrointestinais, vómitos, diarreia e alterações cardíacas
A maçã (Malus spp.) em especial as sementes e possivelmente as folhas, não o fruto em si, pode ser tóxica. A toxicidade deve-se a um composto cianogénico – a cianida, que vai provocar uma alteração no metabolismo celular. Os sinais clínicos incluem palidez das mucosas, aumento da frequência cardíaca e respiratória, naúsea, vómitos, choque, convulsões e morte. Os sinais evoluem rapidamente. É característico um odor a amêndoas na rspiração ou no conteúdo gástrico do animal.


·         NOZES DA MACADÂMIA

A noz da macadâmia (fruto extraído de uma árvore com o mesmo nome), tanto crua como torrada ou em forma de manteiga de macadâmia contem uma toxina, de natureza desconhecida, que pode afectar os músculos, o tracto digestivo e o sistema nervoso.
Nos cães, basta a ingestão de um pequeno número de nozes para causar dificuldades em andar, fraqueza, respiração acelerada, tremores, vómitos, dores e inchaço nos membros, estando até já registados casos de paralisia.
A noz de macadâmia é comum encontrar-se em biscoitos e cookies, logo tome cuidado e por segurança não dê nada a oseu animal que suspeite ter este fruto.


·         CASCAS DE BATATAS E TOMATES VERDES

     A ingestão de fruta e vegetais como batatas e tomates (Solanum lycopersicum) em estado verde pode causar problemas de saúde aos cães e gatos.
A tomatina, um alcalóide relacionado com a solanina, está em elevada concentração na fruta e nas plantas novas/verdes, enquanto que nas plantas maduras, a tomatina é metabolizada. Portanto, os tomates maduros têm uma menor probabilidade de serem problemáticos para os animais que os verdes.
Os sinais clínicos podem incluir distúrbios gastrointestinais, alterações cardíacas e ao nível do sistema nervoso central, por exemplo: ataxia, fraqueza muscular e tremores, resultado da inibição das colinesterases. Devido à fraca absorção da tomatina, os efeitos sistémicos são muito raros. A gravidade dos sinais clínicos depende da quantidade que foi ingerida. Geralmente o tratamento é sintomático e de suporte.


·         FERMENTO E MASSA DE LEVEDURA

O fermento presente em massas de bolos e pães pode causar a produção e acumulação de gás no estomago do seu animal de estimação e causar-lhe “inchaço” abdominal, gases e complicações digestivas. Lembre-se que os animais não conseguem arrotar, por isso, não deixe o seu animal ingerir em cru a massa de pão de fermento e/ou massa de levedura.



·         LEITE E SEUS DERIVADOS

 Os cães e gatos a partir de certa idade têm dificuldade em digerir a lactose (o “açucar do leite”), por deficiência numa enzima, polo que o consumo de leite, principalmente de vaca, leva a problemas de saúde.
Provoca alterações gastrointestinais como gases e diarreia. A gravidade dos sintomas é muito variável, por exemplo, para alguns animais a ingestão de uma pequena quantidade de leite provoca de imediato diarreia, para outros a diarreia só surge após ingerirem uma quantidade maior, mas todos são sensíveis.
Quando o animal já apresenta diarreia por outra causa qualquer, então é ianda mais importante não dar mesmo leite, porque o animal já tem a sua capacidade digestiva reduzida e com isso irá prejudicar mais o seu estado de saúde.

·         SAL

O sal e as comidas ricas em sal são totalmente proibidas nos cães. A longo prazo, o seu uso prolongado pode causar problemas cardíacos. Tome nota que os enchidos, fiambres, quijos e outros produtos de charcutaria possuem por vezes muitas quantidades de sal.


·         CARNE, PEIXE E OVOS CRÚS

    Tal como nas pessoas a ingestão de alimentos crus, especialmente carnes, ovos e preixes, podem levar a graves problemas de saúde ao seu animal. Podem conter bactérias como Salmonella, e E. coli muito associadas a gastroenterites, por vezes fatais.
Os ovos crus contêm uma enzima, a avidina, que impede a absorção de uma vitamina do complexo B importante para a saúde da pele e do pêlo. Os ovos cozidos já não possuem este perigo.


·         OSSOS E ESPINHAS


Os cães comem ossos? Os gatos comem espinhas? Não. Só nos desenhos animados é que isso acontece.
Os ossos, especialmente os de galinha, frango, pato, peru e de coelho podem lascar-se, partir-se facilmente pelos dentes dos cães e gatos e causar graves problemas de saúde. Podem provocar lacerações nas gengivas, fracturas de dentes, obstrução das vias aéreas que podem sufocar o animal, lacerações, obstruções e até perfurações do tracto gastrointestinal. A maioria destes problemas são situações de urgência veterinária e requerem tratamento cirúrgico.
Além disso, os ossos e espinhas não são digeridos e de  nenhuma forma alimentam o seu animal.
Pelas graves consequências que causam À saúde e por não satisfazerem nenhuma necessidade fisiológica para o seu animal não dê e evite que ele tenha acesso a ossos, espinhas e a restos de comida que possam tê-los.
Pode oferecer ao seu cão, para se entreter e brincar, ossos longos e duros não propensos a serem partidos ou ossos artificiais que são degradados de forma lenta.


·         APARAS DE GORDURA / COMIDAS RICAS EM GORDURA

Os alimentos ricos em gordura como as aparas, o bacon, a banha e as comidas muito gordurosas podem causar problemas gastrointestinais e inflamação do pâncreas (pancreatite). A pancreatite pode ser ligeira causando desconforto abdominal, vómitos e diarreia, ou ser mais grave culminando numa pancreatite aguda fatal.


·         ALIMENTOS OU COMIDAS ESTRAGADAS / DO LIXO

Os alimentos estragados, apodrecidos ou do lixo contêm fungos e bactérias que podem causar envenenamento alimentar ao seu cão e gato.
Muitos destes alimentos estragados têm um tipo de fungo (vulgarmente conhecido como mofo) que produz toxinas, chamadas aflatoxinas, que podem provocar vómitos, diarreia, tremores musculares, descoordenação motora, febre, salivação excessiva e problemas no fígado.
Coloque sempre o lixo fora de casa e fora do alcance do seu animal de estimação.


·         DOCES E GOMAS


O consumo de doces, produtos açucarados e gomas provoca com facilidade obesidade, diabetes mellitus e outras complicações para a saúde do seu animal.


·         XILITOL (PASTILHAS ELÁSTICAS, ADOÇANTES)

O xilitol (aditivo alimentar E967) é utilizado como adoçante artificial, encontrado com muita frequência nas pastilhas elásticas, doces e outros produtos sem açúcar. A indústria farmacêutica recorre também ao xilitol para produzir colutórios e pastas de dentes.
Nas pessoas não causa grande problema, já nos cães pode ser extremamente tóxico, dependendo da quantidade ingerida. Leva a uma libertação massiva e rápida de insulina pelo pâncreas, e consecutivamente a uma crise de hipoglicemia grave.
Causa falência hepática, vómitos, letargia, debilidade, descoordenação motora, tremores, convulsões, icterícia, fezes negras, coma e morte. Os sintomas podem começar a aparecer entre 30 minutos a 12 horas após a ingestão. Não demore até que os sinais de insuficiência hepática sejam visíveis em alguns dias, para o trazer ao médico veterinário.


·         COMIDA DE GATO – NOS CÃES

Os gatos são animais 100% carnívoros, em que a base de alimentação é maioritariamente carne, enquanto nos cães, também carnívoros, o regime alimentar aproxima-se um pouco mais dos omnívoros. Por causa disso, o alimento comercial destinado a gatos tem um teor de proteína e gordura mais elevado que o dos cães.
Certamente já reparou que o seu cão adora e prefere a comida de gato que a própria. Isto acontece porque o excesso de gordura confere uma maior palatabilidade e um sabor mais intenso à ração de gato. No entanto, se isto se tornar um hábito alimentar diário, o seu cão irá ter de futuro problemas de saúde como a obesidade, diabetes mellitus, pancreatite, diarreia crónica, hepatite e insuficiência renal.


 

TOME NOTA:

- Esteja atento, não dê ao seu animal e não deixe ao alcance dele estes alimentos.

- Assim que suspeite que o seu animal ingeriu algum destes alimentos ou demonstre sinais de intoxicação, leve-o rapidamente ao médico veterinário.
A rapidez com que o tratamento for iniciado é essencial para evitar ao máximo a absorção destas substâncias pelo organismo, já que não há antidoto especifico. Se a intoxicação for descoberta cedo, ainda pode ser possível eliminar o alimento tóxico do organismo através do vómito e proteger o tracto gastrointestinal da sua absorção. Quando os sinais clínicos se desenvolvem o tratamento é de suporte.
           O prognóstico é normalmente bom se o animal for tratado atempadamente, mas, não se esqueça a melhor arma que tem para que o seu animal não sofra intoxicação é a prevenção.

             - Dê ao seu animal uma dieta saudável e balanceada e evite os “ mimos e extras”.
           É importante saber e escolher bem a alimentação adequada ao seu animal de estimação para que ele viva uma vida mais saudável e com certeza mais feliz. Idealmente deve dar ao seu animal uma dieta saudável e equilibrada à base exclusivamente de ração comercial de qualidade.
        Lembre-se que de maneira nenhuma, nos animais devem ser incentivados hábitos de comer com os seus donos, como por exemplo mendigar comida à mesa e comer o mesmo tipo de comida (comida caseira). Os animais têm necessidades nutricionais específicas e diferenciadas das nossas e pedir à mesa é uma situação desagradável.
           Ensine às crianças quais os alimentos permitidos ou não e a não partilhar a comida com eles, quando estão a comer.

                  - Exercite regularmente o seu animal.
                  Faça visitas regulares ao médico veterinário para controlo do peso do seu animal.


                                                                           
                                   Escrito por Sandra Oliveira – médica veterinária (CP 4910)

segunda-feira, 25 de março de 2013

INTOXICAÇÃO NO CÃO PELA LAGARTA DO PINHEIRO


INTOXICAÇÃO POR CONTACTO COM A LAGARTA DO PINHEIRO NO CÃO


Os cães, e em especial os mais jovens, são muito curiosos, estão constantemente a farejar e a cheirar tudo o que vêem. Podem até cheirar e/ou lamber espécies animais possuidoras de propriedades tóxicas como insectos, cobras, sapos, processionárias, sendo frequentemente vítimas da sua curiosidade.
A processionária do pinheiro, vulgarmente conhecida como lagarta do pinheiro, é denominada pelo nome científico de Thaumetopoea pityocampa. É uma espécie mediterrânea que se encontra por toda a Península Ibérica, estendendo-se à Turquia e ao Norte de África. Esta lagarta apesar de parecer inofensiva é conhecida por ser uma praga devastadora para o pinheiro e para toda a floresta e, causar graves problemas para a saúde pública. Pode ser muito perigosa para quem entra em contacto directo com ela, como os animais domésticos, os animais selvagens e o Homem, particularmente as crianças.

Algumas curiosidades sobre a lagarta do pinheiro



O ciclo de vida da processionária do pinheiro tem duas fases distintas: a fase aérea e a fase terrestre. A fase aérea inicia-se em Junho prolongando-se até Agosto com a emergência dos adultos e posterior acasalamento. Depois de acasalarem, em meados de Setembro nascem as lagartas. As lagartas vão sofrendo várias mudas até tecerem ninhos onde se agrupam muitos indivíduos formando “novelos de algodão” que são vistos no cimo dos pinheiros durante todo o Inverno.


            A passagem da fase aérea à fase terrestre decorre entre Fevereiro e Maio com a migração colectiva das lagartas, que abandonam as árvores em procissão, formando uma fila. Depois enterram-se no solo a alguns centímetros de profundidade para puparem.
A intoxicação por contacto com esta espécie assume um carácter sazonal, dependendo do clima da região, verificando-se uma maior percentagem de casos durante a Primavera e Verão.


As lagartas apresentam um aparelho defensivo, perante a actuação de predadores naturais, composto por 8 receptáculos, cada um com 120 000 pêlos urticantes de coloração alaranjada. Quando a lagarta se move os receptáculos abrem, libertando milhares de pêlos que se dispersam no ambiente. Os pêlos funcionam como finas agulhas, através do qual é injectada na pele e mucosas uma haloproteína tóxica, designada de taumatopoína, que é capaz de desencadear a libertação massiva de histamina. Por este motivo, cães, gatos, cavalos, homens e outras espécies, quando contactam com os pêlos da processionária desenvolvem um quadro alérgico extremamente exuberante. Não sendo por isto fundamental um contacto directo entre a larva e o animal para este último ser afectado.

Sintomas

                A principal via de contacto dos animais domésticos com a processionária é cutânea, podendo ser também digestiva e ocular.
No cão, os lábios, a mucosa oral e a língua são as partes do corpo mais afectadas.
Os sinais clínicos e as lesões desta doença são variáveis e têm um carácter evolutivo.

·         Edema da face (Focinho inchado)
·         Ptialismo (salivação excessiva)
·         Disfagia (dificuldade em deglutir)
·         Intenso prurido (comichão) na face
·         Urticária
·         Vómito
·         Apatia
·         Falta de apetite
·         Dificuldade na preensão dos alimentos

 A língua é o órgão mais afectado, aumenta de volume, torna-se azulada e com a evolução surgem áreas de necrose (cor amarela a preta). Podem desenvolver infecções nos lábios, língua e por toda a garganta, além de que, no local do contacto, pode ocorrer perda dos tecidos num período de 6 a 10 dias.
Em caso de contacto com os olhos o animal pode apresentar o “olho azul” (edema da córnea), fobia à luz, prurido ocular, conjuntivite e úlcera da córnea.


O proprietário pode apresentar um intenso prurido nas mãos e braços como consequência da manipulação dos animais.
Os sinais clínicos sistémicos são mais raros, porém possíveis existindo relatos de choques anafilácticos, tremores musculares, coma e mesmo morte do animal.


Tratamento:

Caso suspeite de uma situação destas ou o animal apresente alguns dos sintomas descritos leve-o imediatamente à clínica veterinária. É importante que seja tratado o mais cedo possível porque a evolução da doença depende da precocidade com que o tratamento é instaurado.
O tratamento é sintomático, passando pela lavagem da zona afectada e administração de medicação para combate á dor, inflamação, e infecções secundárias. Em casos muito graves, o animal poderá ter de ser hospitalizado.
Não existe nenhum antidoto específico para a toxina da processionária.
A duração do tratamento depende do estado geral do animal, mas normalmente os animais recuperam aproximadamente em 10 dias.
O prognóstico é reservado, apesar da maioria dos casos apresentar uma evolução favorável. Contudo, depende do grau da afecção e da precocidade com que o tratamento inicial é instaurado.

Prevenção:

Durante o período de migração em procissão das larvas, deve impedir-se que os cães tenham acesso livre aos pinhais onde existem ninhos de processionárias.
Os ninhos podem destruir-se com injecções de petróleo, insecticidas ou por queimadas.

É importante referir que além do contacto directo com as lagartas, também o manuseamento dos ninhos pode ser perigoso, uma vez que estes encontram-se recheados de excrementos e de pêlos que ao ser transportados pelo vento, contaminam o ambiente e em contacto com a pele ou com as mucosas originam reacções alérgicas.


Escrito por: Sandra Oliveira
  (médica veterinária - Clínica Veterinária de Mangualde)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

VANTAGENS DA ESTERILIZAÇÃO DE GATOS E GATAS


VANTAGENS DA ESTERILIZAÇÃO DE GATOS E GATAS

A esterilização é uma intervenção cirúrgica realizada por um médico veterinário destinada a impedir a reprodução. Sob anestesia geral retiram-se, nos gatos machos os testículos, deixando-se a bolsa escrotal vazia (em pouco tempo a pele retrai e fica uma bolsa pequenina) e nas fêmeas os ovários e o útero. As vantagens em esterilizar um gato ou uma gata são em tudo muito semelhantes ao que se passa na espécie canina.

- Vantagens da esterilização:

1.       Evita gestações e ninhadas indesejáveis.

2.       Eliminação dos cios e do comportamento sexual

As gatas entram em cio aproximadamente a cada 2 semanas durante uma única época de reprodução. A época de reprodução está dependente do número de horas de luz diárias, durando aproximadamente de Fevereiro a Setembro, mas as gatas que vivem dentro de casa podem ter o cio durante todo o ano.
No período de cio, as gatas não apresentam qualquer descarga vaginal, daí que são as alterações comportamentais os sinais de manifestação de cio. A gata adopta umas posturas específicas, vocaliza com mais frequência e com grande sonoridade, tanto de dia como de noite, demonstra mais afecto, roça-se nos objectos e pessoas, rebola pelo chão e pode urinar pela casa. No auge do cio, a gata apoia o peito e as patas dianteiras no chão e eleva as patas traseiras desviando a cauda para o lado, num convite óbvio ao macho. A cópula desencadeia a ovulação e a interrupção de cio. Contudo, na ausência de macho, o período de cio pode durar mais de uma semana e após um repouso sexual (período entre cios dentro da época reprodutiva) variável consoante a raça, inicia-se um novo ciclo que se repete várias vezes ao ano.
Para a gata a época reprodutiva leva a um grande desgaste físico e psicológico, além de que fará tudo ao seu alcance para sair em busca de um macho.

No gato macho o instinto sexual leva-o a vaguear mais pela rua, à procura de gatas em cio e consequentemente a envolver-se em confrontos e lutas com outros gatos, que são uma forma de contágio de doenças infecciosas muito comuns como a leucemia felina e a imunodeficiência vírica felina (SIDA felina).
A marcação urinária (o gato projecta jactos de urina em superfícies verticais para delimitar o território) está associada à actividade sexual mas também pode ser desencadeado pela ansiedade e stress. O odor intenso que deixa constitui um sinal olfactivo para outros gatos, mas para os donos representa um grande transtorno.
A castração dos gatos machos evita o comportamento de vadiagem, logo as lutas com outros machos e também que marquem o território através de micções frequentes em locais indesejáveis no sítio onde habitam.


3.       Diminui e/ou elimina o risco de aparecimento de doenças do foro reprodutivo, como por exemplo: tumores de mama, útero e ovários, piométra e quistos ováricos. As gatas castradas antes de 1 ano de idade apresentam um risco de 0,6% de desenvolver tumores mamários em relação a gatas inteiras (não esterilizadas).

4.       Reduz o risco de aparecimento de doenças infecto-contagiosas. O contacto directo com um gato infectado, através de lambidelas, mordeduras, ou por via sexual durante o acasalamento; e a transmissão através da placenta na gestação e através do leite materno na amamentação são as principais formas de transmissão dos vírus da leucemia felina e da imunodeficiência virica felina. Actualmente apenas encontra-se disponível a vacina contra a leucemia felina, portanto face ao elevado risco de contrair estas doenças, a esterilização é uma das suas principais formas de prevenção.

5.       Diminui as tentativas de sair de casa e o risco de acidentes. Estimulados pelo instinto sexual, os gatos e gatas tem tendência a fugir, por vezes, por vários dias. No decurso destas saídas podem sofrer acidentes de viação, intoxicações, e vários traumatismos (mordeduras, quedas, tiros, etc). A esterilização ao remover o instinto sexual faz com que o gato não se afaste muito de casa e como tal está menos exposto a esse tipo de acidentes.

A esterilização poderá ser feita a partir dos 6 meses de idade tanto na gata como no gato, que é por essa altura que normalmente entram na puberdade. Na gata, não tem que esperar que tenha uma ninhada antes de ser esterilizada. Trata-se de uma ideia sem qualquer fundamento biológico e que não traz qualquer benefício para a sua saúde.

Após a esterilização há uma alteração a nível hormonal, o comportamento do animal modifica-se e por isso a alimentação deverá ser ajustada. O gato tem tendência a comer mais, apesar das suas necessidades energéticas sofrerem um decréscimo superior a 30%. O período mais critico situa-se nos dois meses após a cirurgia. Se a alimentação não for rapidamente adaptada logo após a esterilização, no espaço de 2 meses, um gato de 4kg pode com muita facilidade aumentar 2Kg, ou seja, o equivalente a 30Kg no caso de um homem de 60kg. O risco de obesidade é maior nos machos do que nas fêmeas.

Um gato esterilizado está mais predisposto à obesidade. Devido ao excesso de peso, o animal torna-se menos activo. Desloca-se menos vezes para beber água, e portanto a urina fica mais concentrada na bexiga, criando as condições ideais para a formação de cálculos. Um gato esterilizado apresenta um risco 7 vezes maior para desenvolver cálculos de oxalato de cálcio e de 3,5 vezes superior de formar cálculos de estruvite do que um gato não esterilizado.

- Complicações da obesidade:

    - Menor esperança média de vida;
    - Diminuição da actividade física;
    - Problemas articulares;
    - Diabetes mellitus;
    - Problemas hepáticos;
    - Risco cirúrgico e anestésico aumentado;
    - Má condição da pele e pelo;
    - Redução da resistência a infecções;
    - Problemas cardíacos e respiratórios.

Portanto, é aconselhável uma dieta específica para gatos esterilizados que ajuda não só a prevenir a obesidade e suas complicações como também a prevenir a formação de cálculos urinários.

Contribua para o bem-estar e saúde do seu animal de companhia e evitar as ninhadas indesejáveis que irão aumentar a sobrepopulação animal.


                                                                                  Escrito por:
 Sandra Oliveira – Médica Veterinária (Clinica Veterinária de Mangualde)